Confesso que estou com particular curiosidade para assistir aos desenvolvimentos da programação da Casa da Música para 2007. Não sou dos mais entusiastas em relação à capacidade de Pedro Burmester elaborar a solo uma programação coerente – em recente entrevista à RTPN, voltou a referir-se ao meteorito como a “casa de todas as músicas”, que, além de mentira feia, é mensagem que já não faz sentido vender; por outro lado, acredito que a Casa da Música, com uma equipa de programação a sério e ecléctica, é capaz de reanimar uma estrutura que fecha na Páscoa, que não agita o Ano Novo, que omite uma verdadeira festa de Natal para a cidade e que não é capaz de antecipar um único nome a despontar no cenário internacional - o Passos Manuel conseguiu fazê-lo, a Casa das Artes idem, tal como a Zé dos Bois e etc. Em poucos meses, o próprio Theatro Circo já sabe fazer corar a Casa da Música – que, recorde-se, tem injecções anuais de 10 milhões de euros públicos. O que vale é que pelo menos o Porto tem Quim Barreiros na noite de ano novo e os outros não.
P.S. Naturalmente, o título deste post pertence a território neutro.
GO
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Não me parece que ninguém faça corar a CdM – são casas diferentes com missões diferentes…
Se o dinheiro é bem ou mal investido na programação da CdM, admito a minha ignorância técnica, mas aquela estrutura é incomparável face a outras como a ZdB ou o TCB – tem ambições e objectivos diferentes.
Comentário por pedrorios Terça-feira • 9-01-2007 @ 19:02É precisamente por isso que acho embaraçosa a situação da Casa da Música: é que não consegue ter uma programação verdadeiramente apelativa nem no plano mais ambicioso, nem no plano mais comedido. É importante ter grandes orquestras – a CdM pode ter mais -, é importante ter grandes nomes do jazz – a CdM pode ter mais -, é importante ter grandes nomes da pop – esses, nem vê-los -, é importante ter os grandes músicos portugueses – passam por lá com muito pouca frequência e costumam parar no Coliseu -, é importante ter electrónica – pode ter mais -, é importante ter indie – não tem -, etc. A CdM tem tudo para ser o que as salas mais pequenas do país são e tem tudo para ser mais ambiciosa. O problema é que não é nada e é vendida como a casa de todas as músicas. Fecha na Páscoa, anda a dormir durante o ano, não abre as portas a bandas portuguesas pequenas, não se mexe, adormece. Diz lá então como é que a CdM tem cumprido “as ambições e os objectivos diferentes” de que falas. É que os outros andam a cumprir.
Comentário por GO Terça-feira • 9-01-2007 @ 19:48Diz-me tu então o que é que a CdM tem tido. É que há concertos quase todos os dias, às vezes mais do que um, logo quantidade não falta ali. São as escolhas?
Digo que à CdM já vieram nomes importantes do jazz, da música improvisada e coisas que não teriam lugar noutros sítios (Sunn 0))) à cabeça).
“Casa de todas as músicas” é um slogan, é óbvio que não o poderia ser. Não deve existir nenhuma “casa de todas as músicas” em nenhum canto do planeta, a menos que seja uma sala alugada, sem programação própria coerente.
Admito que falte à CdM alguma componente pop-rock, não por culpa unicamente sua, mas talvez porque falte ao Porto uma sala média (como o Hard Club, se este não tivesse seguido um caminho menos certo nos últimos anos) capaz de ter bandas como uns Belle&Sebastian – grandes demais para o eixo Passos Manuel/Maus Hábitos/Mercedes, pequenos demais para o Coliseu.
Resumindo, não sou tão pessimista quanto tu, mas também não sou o maior fã da programação Burmester.
Comentário por pedrorios Quarta-feira • 10-01-2007 @ 12:49Má quantidade, mau slogan e poucas coisas “que não teriam lugar noutros sítios”. É disso que me queixo. É demasiado má para mim. Para ti pode ser menos má, mas continuará a sê-lo para mim – é o encanto da subjectividade.
Comentário por GO Quarta-feira • 10-01-2007 @ 14:30O slogan é presunçoso, como todos os slogans… É subjectivo, é, mas não me parece tão mau como pintas. A boa afluência do público à casa (pelo menos das muitas vezes em que lá fui) também o demonstra.
Comentário por pedrorios Quarta-feira • 10-01-2007 @ 15:06Falo apenas por mim: a CdM é uma desilusão enorme. E não retiro uma única vírgula ao que disse até aqui. Mas ainda bem que há quem goste do que se lá se vende. Eu gosto pouco.
Comentário por GO Quarta-feira • 10-01-2007 @ 15:20Para a alta burguesia portuense não está mal. Prós outros é que nem por isso…
Comentário por JCM Quarta-feira • 10-01-2007 @ 17:30Caro JCM,
Alta burguesia? Porquê? Pelos preços dos bilhetes não é, certamente.
Pela programação? Talvez um pouco, mas que tipo de artistas é que imagina a caberem na CdM?
PR
Comentário por pedrorios Quarta-feira • 10-01-2007 @ 17:34Caro Pedro Rios,
Em outras tertúlias já tive a oportunidade de com vossa senhoria compartilhar o meu pensamento em relação a esta questão.
De qq forma, como sabe a segregação cultural não se dá apenas pelo preço dos bilhtes.
Remeto-o para a programação do novo ano. Um excelente exemplo do que tem sido, do que vai ser e do que será enquanto mr.Bursmester e sus pseudo-muchachos por lá andarem.
Sem demais comentarios de momento, um grande bem haja sr. rios.
Comentário por JCM Quarta-feira • 10-01-2007 @ 17:41Está certo, caro JCM :>
Comentário por pedrorios Quarta-feira • 10-01-2007 @ 17:55